Poemas de Fernando Pessoa

Olá amigos e amigas!

Vocês gostam de poemas e poesias? Na verdade, eu nem sei a diferença entre poema e poesia rs. Este é um universo bem desconhecido para mim. Nunca fui muito boa para captar as mensagens das poesias. Na época em que eu estava estudando para o vestibular, os poemas e poesias eram para mim um grande problema. Eu não entendia nada e me chateava em ter que estudar aquilo.

Meu marido, que na época era meu namorado rs, sempre gostou de poesias e tals…e ele tinha um livro da lista do vestibular: “Poemas completos de Alberto Caeiro”. Eu já até tinha desistido de ler tanta poesia, mas como ele tinha o livro, e eu queria passar no vestibular, resolvi ler o bendito livro.

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E não é que é legal!! Não no sentido “cool” da coisa. Mas é uma escrita super tranquila e sem mistérios.

Fernando Pessoa “criou” (não sei se seria a palavra certa, rs) diversos heterônimos. Os mais conhecidos são Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Cada um com estilo próprio.

Vou colocar alguns poemas que gosto:

 

 

Tabacaria 

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. (…).

(Fernando Pessoa in Poemas de Álvares de Campos)

 

Autopsicografia 

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

(Fernando Pessoa in Cancioneiro)

 

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

(Fernando Pessoa in Poemas de Álvares de Campos)

 

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Ótima leitura.

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